sábado, 19 de setembro de 2009

Por hoje pelo menos uma vez...



Adiamento
(Álvaro de Campos)




Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...

Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Um falso herói de verdade



Em 9 de outubro de 1967 um dos maiores revolucionários é covardemente assassinado na Bolívia, 40 anos após sua morte uma dessas revistas que enfeitam mesas de luxuosas residências publíca uma "edição especial" degredando a imagem deste herói revolucionário, que lutou e morreu para que pessoas pudessem viver em uma sociedade mais justa e igualitária. Um homem que abandonou sua família, sua promissora carreira medica, e todos os bens materiais ao perceber que o mundo poderia ser bem melhor se pessoas se reunissem e lutassem para isso. Este homem além de assassinado, agora é taxado com "falso herói". Bom, se Ernesto Che Guevara é "falso herói" então devo aplaudir de pé aquele que senta em uma cadeira luxuosa em seu escritório super estruturado, que foi eleito para comandar com dignidade uma Nação e que agora se preocupa apenas em obter os meios necessários para manter o mundo sob seu controle, aplaudir aqueles que dividem as riquezas da uma sociedade apenas consigo mesmo.
Chega de hipocrisia, chega de mentiras e verdadeiros "falsos heróis", chega de pessoas morrendo de fome em um país que exporta alimento, chega do capitalismo selvagem!!! Viva Ernesto Che Guevara, um "falso herói" que morreu de verdade, lutando por uma sociedade justa de verdade.

Silvana Florencio


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Bem-vindo!

Olá... este é o começo de uma infinidade de informações que serão compartilhadas aqui

Sejam todos bem-vindos a esse novo mundo!