Nascido em Londres, no dia 16 de abril de 1889, Charles Spencer Chaplin é considerado por muitos um gênio, faleceu aos 88 anos, no dia 25 de dezembro de 1977 em Corsier-sur-Vevey, na Suíça, onde está enterrado. Em seus brilhantes anos de vida foi ator, diretor, produtor, comediantes, dançarino, roterista e músico, tendo um longo histórico de filmes, dos quais destaco o clássico "Tempos Modernos", o envolvente "Luzes da Ribalta" e o aclamado "O Grande Ditador". É desta brilhante obra que foi retirado um trecho da parte final e posto em homenagem ao aniversário do nosso gênio mudo falante. Leiam com atenção e reflitam.
O último discurso de
“O Grande Ditador”
“O Grande Ditador”
Charles Chaplin
Tenho muita pena, mas não quero ser um imperador. Não é esse o meu desejo. Não quero dirigir nem conquistar seja o que for. Gostaria de ajudar um por um, se possível; os cristãos, os judeus... os negros, assim como os brancos.
Todos temos o desejo de nos ajudarmos uns aos outros. As pessoas civilizadas são assim. Queremos gozar a nossa felicidade mútua... não o nosso mútuo desgosto. Não queremos desprezar-nos e odiar-nos mutuamente. Neste mundo há lugar para todos. A boa terra é rica e pode oferecer alimentos para cada um dos nós. O caminho da vida pode ser livre e magnífico, mas nós perdemos esse caminho.
A voracidade envenenou a alma dos homens, apertou o mundo num circulo de ódio e obrigou-nos a entrar a passos de ganso na miséria e no sangue. Aumentamos a velocidade, mas somos os seus escravos. A mecanização que produz a abundancia gerou o desejo. A nossa ciência ternou-se cínicos. A nossa inteligência fez-nos duros e brutais.
Pensamos muito, mas sentimos pouco. Temos mais sinceridade de espírito humanitário do que de mecanização. Mais do que inteligência, precisamos de amabilidade e de gentileza. Sem essas qualidades, a vida não será mais do que violência e tudo se perderá.A aviação e o rádio aproximaram-nos uns dos outros. A própria natureza destes inventos despertava a bondade no homem e exigia uma fraternidade universal para a união de todos. Neste instante a minha própria voz chega a milhares de seres dispersos pelo mundo.
Aos que podem compreender-me, direi: não desespereis. A infelicidade que caiu sobre nós não é mais do que o resultado de um apetite feroz, o azedume de homens que temem a via do progresso humano. O ódio dos homens passará e os ditadores morrerão; o poder que usurparam ao povo voltará ao povo. E quanto mais os homens souberem morrer, menos a liberdade desaparecerá!
Soldados, não vos entregueis a esses brutos... homens que vos desprezam e vos tratam como escravos, arregimentam as vossas vidas, impõem-vos os vossos atos, os vossos pensamentos e os vossos sentimentos; são eles quem vos adestram e vos obrigam a jejuar, vos tratam como gado e se servem do vós como carne para canhão!
Não vos entregueis a esses homens desnaturados, a esses homens-máquinas de coração mecânico. Vós não sois maquinas! Não sois animais! Vós sois homens! Trazeis o amor e a humanidade em vossos corações! Não tenhais ódio! Somente os que não são amados tem raiva, odeiam. Os que não são amados e os inumanos... soldados, não combateis pela escravidão! Combateis pela liberdade.
No capitulo XVII do Evangelho Segundo São Lucas, está escrito: “O reino de Deus está no próprio homem”. Não num só homem, nem num grupo de homens, mas em todos os homens! E vós! Vós, o povo, vós tendes o poder, o poder de criar máquinas. O poder de crias a felicidade e liberdade. Unamo-nos todos, utilizando esse poder! Combatamos por um mundo novo que dê a cada homem a possibilidade de trabalhar com liberdade
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